quarta-feira, 28 de julho de 2010

Paulo Leminski

Hai Kai


HAI

       Eis que nasce completo
e, ao morrer, morre germe,
       o desejo, analfabeto,
de saber como reger-me,
       ah, saber como me ajeito
para que eu seja quem fui,
       eis o que nasce perfeito
e, ao crescer, diminui.
KAI

       Mínimo templo
para um deus pequeno,
       aqui vos guarda,
em vez da dor que peno,
       meu extremo anjo de vanguarda.

       De que máscara
se gaba sua lástima,
       de que vaga
se vangloria sua história,
       saiba quem saiba.

       A mim me basta
a sombra que se deixa,
       o corpo que se afasta.

[do livro Distraídos Venceremos]

5 comentários:

  1. Grande Paulo Leminski, sou muito fã dele. Abraços!

    ResponderExcluir
  2. Hi Renata,
    I'm not good in Spanish language, but the title looks like the haiku ;)
    Warm greetings from Poland. :)

    Marek

    ResponderExcluir